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Anotações canalhas desta manhã

assemblage / técnica mista
2019



obra em exibição
ArtRio 2019 / Periscópio Arte Contemporânea
fotografia por Pat Kilgore


Um conjunto de assemblages construídas com objetos domésticos, materiais ordinários, retalhos, elementos deslocados de seus usos convencionais. Composições abstratas, cujo sentido de leitura se abre a partir do título que nomeia cada uma, buscam negociar na dureza desses dias um diálogo possível entre o horror do que chega diariamente pelos noticiários e o desejo de encontrar alegria em breves comentários irônicos sobre a vida comum.




Plano de Governo: a Google Earth view
tecido, couro, plástico, tinta, grafite, lã, bordado e corda sobre trama plástica
180 x 200 cm




Panelaço
painel luminoso, tecido, plástico, couro, corda, utencílios domésticos,massa asfáltica, tinta acrílica e bordado sobre trama plástica e cobertor
180 x 200 cm



Aedes aegypti
tecido, plástico, couro, ratoeira, tinta, metal e corda sobre poliéster
140 x 240 cm



Macunaíma
tecido, couro e corda sobre tapete
60 x 85 cm



Guarapari
plástico, corda, miçanga, ratoeira, tinta e chumbo sobre trama plástica
80 x 90 cm



Leme
couro, corda, linha e chumbo sobre trama plástica
100 x 120 cm



Boa Viagem
tecido, couro, corda e fio elétrico sobre trama plástica
70 x 130 cm





“Caros cidadãos de bens,
Fica combinado que daqui em diante ninguém dormirá tranquilo e mesmo nossos sonhos, se houverem, serão turbulentos e graves.
Garantimos de nossa parte o mais absoluto descompromisso com a esperança, essa grande traidora, já que temos a fome dos bichos do deserto e nosso tempo será sempre agora, agora, agora.
Nesses dias intranquilos, o desejo e a irreverência serão nossas principais estratégias de combate e com nossas bocas grandes cuspiremos lâminas e beijos de lingua a quem quiser, a quem vier.Ainda sobre o desejo, escavaremos na secura desses nossos dias já tão desmaiados as mais bonitas e exuberantes manifestações de vida, e a alegria, ainda que sonsa, surgirá como heroína de onde menos se espera.
Sabemos que morrer é fácil, mas não temos pressa. Tampouco tempos onde cair mortos, já que o cansaço é um luxo para o qual não temos tempo.
Certamente cairemos ao longo, do caminho, mas em cada queda causaremos transtorno e sujeira manchando de sangue o tráfego e a normalidade da vida comum. A despeito de todos os medos, nossos sonhos crescerão proporcionalmente à medida de nossa disponibilidade para a luta e o amor. Em nossa cama sempre caberá mais um.”

por Randolpho Lamonier